foto: Dan Bass
Li hoje um artigo no jornal, resultados de mais um estudo, se os casais com filhos são mais felizes que os casais sem filhos. Estudos anteriores diziam que os casais sem filhos, entre os anos 70 e os 90, penso, eram mais felizes que os casais com filhos. Que mudou em meados de 90 até 2008, data do estudo. Como se mede isso? Como se mede a felicidade de uma pessoa? Como se mede a satisfação de uma pessoa? Não me ausento dos pensamentos do que desejei e esperei, e que hoje poderia ter mudado a minha vida, caso tivesse sido pai há algum tempo atrás.
Mas, da mesma forma, todas as nossas decisões têm consequências, para nós e para os outros, e como tal é necessário viver com isso, aceitar essas decisões e essas consequências. Querer isto ou aquilo, implica uma escolha. Nem sempre acertada. Mas implica ter um papel activo. E viver com isso, repito. Há decisões fáceis e quase inconsequentes, mas mesmo essas significam rumar para ali em vez de rumar para além. E o caminho ramifica-se uma, e outra vez.
Daí que dizer que os casais com filhos são mais ou menos felizes que os outros me parece inválido. Conheço ambos os casos. Não encontro termos de comparação. Assim como conheço pessoas sozinhas mais e menos felizes que casais. Como conheço casais inteligentes mais e menos felizes que casais menos inteligentes.
E assumo-me incorrecto e errante e "pecaminoso" (se a palavra ajuda a descrever), mas sou mais feliz assumindo os meus desejos e os meus atropelos à liberdade dos outros, do que quando procurava libertar-me de tudo isso, que no fundo faz de mim apenas humano. Mas ao menos não sou hipócrita, e não dobro essa "procura" conforme me apraz. Nem procuro encaixar na sociedade, e mostrar-me, e vender-me. Cedo e falho e perco-me vezes sem conta, sou fraco e caio em facilitismos com frequência. Mas pelo menos tenho a certeza de que sou eu, mesmo que não saiba quem sou.


