
(foto: Dailymail.co.uk)
Chega. Que caminho é este que seguimos, que seres humanos nos tornámos, numa época em que supostamente todos deviam ser mais formados, mais educados, mais livres, em que a melhoria das condições sociais deviam permitir uma melhor convivência, e em vez disso sucede o oposto, e a dignidade humana descobre novos fundos.
Uma jovem de 24 anos sai com o namorado de 22, que conheceu pelo teletexto. Era Domingo e iam à piscina. Quatro dias depois o namorado é detido pela polícia e entrega a arma com que tinha baleado e abandonado na beira da estrada a rapariga naquele Domingo.É só um caso. O leitor condescende a jovem, pensa que nada do género aconteceria a uma filha sua, que é esperta, e nunca se encontraria com alguém assim! - (a filha está no quarto, na internet, numa sala de chat com um indivíduo de 49 anos chamado Surferboy) - esquece a vítima e passa à morbidez da mente distorcida do atacante: o que foi que ele fez, como, porquê, onde arranjou a arma, foi paixão, ciúme, loucura, trauma, o que vai ser dele agora, vai preso, é dado como maluquinho, alega insanidade!
Isto é um caso extremo, porém não incomum. E todos nós somos responsáveis. Sei pessoalmente um caso, (um de muitos) uma jovem, bonita, alegre, inteligente, simpática, boa aluna, namora um rapaz bem-parecido, de presença um pouco apagada, algo tímido, bom rapaz. Ela quer prossegir estudos, tirar um curso. Ele não quer que ela vá. Discutem vezes sem conta, e um dia ele ameaça que lhe bate. Arrependido ele, ela assustada, ele "cede" (como se fosse dele a decisão!!!!) e ela vai para a Universidade. Ela sai à noite quando ele está. Quando não está, ela liga a perguntar se pode sair com as amigas, que ele frequentemente proíbe. Novas ameaças. Ela termina o curso e arranja um emprego medíocre, pois quando estagiou e lhe prometeram um futuro na empresa, ele não quis que ela ficasse, seria um posto superior ao dele, melhor remunerado. E casam. E ele chega a casa e senta-se, como fazia o seu pai. E ela trata da casa e da comida e de tudo, mesmo depois de um dia de trabalho duro. Como a mãe. E ele quer sexo hoje. E ela não tem escolha. Nem prazer. Nem carinho. Recusando, é acusada e insultada, e ameaçada e maltratada. E amanhã, quando educar o seu filho e a sua filha, a ele, manda-o sair da frente e ir lá para fora brincar, num dia bom, manda-o arrumar o quarto, a ela, manda-a arrumar o quarto e a casa, e cozinhar e tratar da roupa. Como a sua mãe fez com ela...