sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pulsação

Esquece. O que penso saber revela-se uma e outra vez em desacordo com a realidade. O caminho que se abre e é incerto, é bem recebido, mas onde leva, receio saber. Cansa-me caminhar atento, quero caminhar sossegado. Não pretendo que seja um passeio. Mas sempre alerta, sempre a antever o que virá depois da curva, adivinhando pelas sombras que se projectam à distância. E porque não caminhar confiante? Porque afinal o caminho está aí, ficar parado não leva literalmente a lado nenhum. Estúpido e pequeno, da minha parte, assumir saber o caminho para a frente, ou o seu destino. Não se altera o caminho, ou se segue por ele, ou se muda ao escolher nos cruzamentos. Quanto tempo perco eu nos cruzamentos. Quando os antevejo, abrando o passo, e começa a tortura. Preciso resolver isso. E resolver a aceitação, nunca mais pensar "E se tivesse virado à direita lá atrás?", que não adianta, porque o caminho é de um só sentido, não poderei voltar atrás. Gosto de caminhar. Mas estou cansado.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

braçadas contra a corrente

Uma e outra vez, volta e mais outra volta. A vida goza-me à farta. Não traz manuais, não dá explicações. Era bom de vez em quando falar a sério comigo. Eu não danço. Deixo a vida levar-me, mas leva-me ao lado, não me conduz. Decido que vale a pena viver, com todas as surpresas, más e boas. Entendo o desespero, entendo a dor, mas também entendo a alegria e a gratidão. Apetece-me correr, mas caminho apenas. Apetece-me dormir, mas caminho. Ainda assim, sem insistir. Raio de voltas. Porque não percebo? Preciso de paz. A luta já vai longa. Desorientei-me quando perdi todos os exemplos. Quando percebi que só sou eu. Quando afinal todos os exemplos não o eram, são afinal todos maus. Quero uma vida minha. Estou farto de estar sozinho, mesmo quando não estou. Mesmo comigo, ainda estou sozinho. Embora já não tanto. Já vivo comigo em maior diálogo. Ainda assim, a vida troca-me as voltas. De novo. Estava a chegar ao ponto da aceitação, o que precede a paz. E outra volta. Preciso aceitar.
Preciso mudar, também. Quase não dá para respirar. É como descer uma montanha de bicicleta, não dá para parar, dá apenas para travar antes das curvas para não me espatifar. Mas viver é uma adrenalina...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estranhas Marés

Estranhas marés estas em que me encontro. Alternância entre estados de espírito quase opostos, de desejo de solidão a desespero dentro dela, de desânimo a euforia e volta, de força a desalento, de vontade de caminhar à vontade de desvanecer. Esgota-me este balouçar. Falham-me as palavras boas, quando em tempos me fluíam naturais. Nunca estive tão forte, e no entanto nunca me senti tão impotente. Uma coisa boa, no entanto: nunca estive tão perto de mim.