sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Pulsação
Esquece. O que penso saber revela-se uma e outra vez em desacordo com a realidade. O caminho que se abre e é incerto, é bem recebido, mas onde leva, receio saber. Cansa-me caminhar atento, quero caminhar sossegado. Não pretendo que seja um passeio. Mas sempre alerta, sempre a antever o que virá depois da curva, adivinhando pelas sombras que se projectam à distância. E porque não caminhar confiante? Porque afinal o caminho está aí, ficar parado não leva literalmente a lado nenhum. Estúpido e pequeno, da minha parte, assumir saber o caminho para a frente, ou o seu destino. Não se altera o caminho, ou se segue por ele, ou se muda ao escolher nos cruzamentos. Quanto tempo perco eu nos cruzamentos. Quando os antevejo, abrando o passo, e começa a tortura. Preciso resolver isso. E resolver a aceitação, nunca mais pensar "E se tivesse virado à direita lá atrás?", que não adianta, porque o caminho é de um só sentido, não poderei voltar atrás. Gosto de caminhar. Mas estou cansado.
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