quinta-feira, 3 de julho de 2008

Homem-em-série

imagem:"Identity" de Maroe Susti

"Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio;

cada ser humano é uma parte do continente,

uma parte de um todo"

John Donne


O ser humano surpreende-me. Uma e outra vez. A Sociedade condiciona-nos continuamente, adquirimos ou alteramos comportamentos, pela necessidade de integração, pela "normalidade", para sermos humanos de série funcionando em cadeia, e não protótipos funcionais, autónomos e únicos. Ainda assim o espírito rebelde e persistente que nos habita grita para sermos únicos. E é uma parte de mim que acorda quando encontro alguém que chega, depois de uma ausência de alguns meses, e pergunta directo, interessado genuinamente, e te questiona assuntos pessoais teus, sem tabus, na frente dos outros, ligando um pequeno grupo na amizade e na intimidade sanguínea, nivelando-nos à carne  e à pureza de sentimento na preocupação verdadeira por quem te é querido e pelo seu bem-estar como parte importante no bem-estar geral. 

Se esta preocupação e esta frontalidade fossem comuns, talvez novos horizontes se abrissem à humanidade.

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