sexta-feira, 27 de junho de 2008

"A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser medidos pela forma como trata os seus animais" - M Gandhi


É ao deparar-me com mais um apelo chocante para que não coma carne que sou confrontado com esta realidade: o homem-comum industrializou a vida. Os seres vivos são para o homem-comum apenas mais um bem, a utilizar a seu bel-prazer, quer seja como matéria prima, quer seja como produto directo, artigo de desporto, prazer, luxo, escravo, brinquedo ou simplesmente companhia descartável. É o gado para abate tratado como balões numa mangueira de ar, a encher depressa para se tirar, a galinha poedeira expremida como borbulhas de um adolescente, o cão treinado a cúmulo para combate, e que se abandona quando perde ou está ferido, é a tartaruga, a arara, o melro, a aranha, o peixe e o réptil que se tem num aquário ou gaiola ou jaula condenado à perpétua, as incontáveis colecções de insectos, cada qual com direito ao seu alfinete, o animal caçado até à extinção, porque um qualquer tipo gosta de ter a cabeça como "troféu", quando a luta, se se travou, foi entre a bala e o animal, ele estava cobardemente escondido atrás da arma...
E digo industrializou por isto: por processos básicos de cadeia de produção, a matéria prima-vida é destratada, alterada, triturada, revirada, violentada e retirada de qualquer propriedade, entidade-ser e valor, para lhe ser dado um rótulo, uma embalagem, um preço, e servir ao homem-comum como combustível. Povos chamados "primitivos" onde eu chamaria sem qualquer dúvida Puros e Vivos têm outra consciência - pedem à Natureza perdão pela morte que vão tirar ao seu irmão-veado, à sua irmã-corça, e que é para sua alimentação, e da sua família, e naturalmente respeitam a morte e aproveitam tudo no ser, seja para alimentação, vestuário, ou o que seja de seu proveito e utilidade. Não, não digo "vamos abraçar as galinhas e pedir desculpa", digo "vamos tratar os animais com respeito pela vida, fazer uma alimentação saudável, com carne em proporções saudáveis, vinda de animais saudáveis, criados condignamente em condições saudáveis, com uma alimentação saudável". No fundo, na consciência que resta, mas que existe em todos, sabemos o sentido de tudo isto. E sabemos que tudo se reflete.

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Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos
cujo sopro dá vida ao mundo todo
venho perante ti como um dos teus muitos filhos.
Sou pequeno e fraco.
Necessito a tua força e a tua sabedoria.
Deixa-me caminhar na beleza.
Permite que os meus olhos para sempre contemplem o pôr-do-sol vermelho e púrpura
Faz as minhas mãos respeitar as coisas que criaste
Torna os meus ouvidos atentos para que possa ouvir a tua voz
Faz-me sábio para que possa aprender as coisas que ensinaste ao meu povo
Escondeste as lições em cada folha e em cada pedra.
Procuro força.
Não para ser superior aos meus irmãos
mas para ser capaz de combater o meu maior inimigo - eu próprio.
Faz-me sempre capaz de me encontrar contigo de mãos limpas, cabeça erguida e coração puro
para que quando a vida se desvanecer como o pôr-do-sol
o meu espírito possa juntar-se a ti sem vergonha.

(velha oração índia)

(imagem: myspace de Jeannie)

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