terça-feira, 15 de maio de 2012
Escolher
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Zeros
Passei algum tempo em que me fechei. Em que me isolei. Contactava socialmente no emprego, e essa era a minha única ligação. De qualquer forma, ausente de confianças, e formal. E distanciei-me o suficiente para sentir quem sou. E rio-me quando ouço alguém dizer que sabe o que quer, que sabe onde está, que sabe quem é. Eu não sei. Porque quem sou não sei dizer. Porque se digo que sou ninguém, isso significa que não encaixo nos nomes e adjectivos que conheço, que descrevem algo limitado, e eu ainda não encontrei os meus limites e definições. E onde estou? Estou onde os meus passos me trouxeram, e não soube, ou não quis, ou simplesmente não escolhi dar outros. Mas os passos foram sempre os meus. E o que quero? Não sei. Sinto os dias. Porque já quis muito, já fiz muitos planos. E não controlo os dias, não controlo nada mais que os meus passos e as minhas decisões. Não deixo, de uma forma mais ou menos consciente, de planear, de projectar, de procurar. E porque temos o que queremos, preciso perceber o que realmente quero. E paro, frequentemente, e tento sentir o que de verdade desejo. Porque é fácil cair no conhecido, no generalista, nos desejos dos outros, nos desejos comuns. E quando se está, como estive, isolado, acompanhado de mim, lidando só comigo, sem fuga, todos os desejos externos se desfazem, se não procurarmos neles o alívio para a solidão. Se abraçarmos a solidão, temos todo o tempo com o nosso íntimo. E percebemos que viver em sociedade custa-nos a identidade. E ter a consciência disso pesa-me e em cada segundo que me deixo parar e invejar algo ou alguém, ou querer ser ou ter ou estar, irrito-me e zango-me comigo, porque é tudo falso. É tudo uma fuga para facilitar o meu dia.
No fim de contas, tudo exterior a ti é uma limitação. Mas dança conforme a música, se é isso que te dá conforto.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Vermelho-Fogo
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Aqui, Nu, Agora
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Confissão
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Momento de Viragem
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Pulsação
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
braçadas contra a corrente
Preciso mudar, também. Quase não dá para respirar. É como descer uma montanha de bicicleta, não dá para parar, dá apenas para travar antes das curvas para não me espatifar. Mas viver é uma adrenalina...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Estranhas Marés
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Desalento
sábado, 15 de maio de 2010
Rumo ao futuro - mudar mentalidades

O país precisa mudar mentalidades. Tenho esperança. Mas não posso deixar de sentir essa esperança cada vez mais vã ao observar o rumo das coisas. Há já alguns anos que me deparo com uma classe política arredada dos interesses públicos, ou sequer nacionais. Considero algo que ultrapassa o desrespeito, a mais completa ausência de um mínimo de consideração o que é feito como um jogo simples no qual o povo cai permanentemente, e sobretudo nos últimos dez anos, em que jogadas políticas, escândalos e fraudes são permanentemente encapotados com outros mais mediáticos, e subidas de impostos e grandes obras megalómanas anunciadas quase em nota de rodapé entre campeonatos de futebol e a vinda do Papa, recebido com mais honras que um chefe de estado, quando o Dalai Lama é propositadamente ignorado pelos governantes. Não sou contra os líderes religiosos, apenas considero que se somos um Estado laico, devemos receber todos com igual importância, com segurança, mas sem excessos, e muito menos sem o esbanjar de riquezas num momento que se pede de contenção.
Diz o Sr. Primeiro Ministro que é preciso subir o IVA, também nos escalões mais baixos, nos chamados produtos de primeira necessidade, justificando a um jornalista (penso eu estar a descrever correctamente) não ser justo que famílias como a sua própria e a do jornalista paguem também 5% sobre o pão, o leite, a Coca-Cola, porque não lhes é difícil. E a lógica está em aumentar para todos? Cansa-me esta lógica. E cansa-me que alguém com tantos casos "cinzentos" permaneça ao leme deste país, rumando a um futuro próximo muito difícil, e saber que está salvaguardado um bote salva-vidas para uns quantos. É desse bote também que quero falar, foi um email que recebi, sobre alguns desses afortunados (esta palavra tem um sentido muito literal aqui) e dos seus rendimentos mensais, informação que anexo no fim desta missiva.
Voltando ao Sr. Primeiro Ministro, enoja-me a sua situação. Não sei sequer que pessoa é esta, não sei se é engenheiro, não sei se é corrupto, não sei se é educado, não sei se é proprietário, não sei se é manipulador. Sei que as suas poucas medidas acertadas, e a coragem que teve em as assumir, não escondem nem compensam tudo de mal e errado que fez e faz ao país e ao povo português.
Eu quero voltar a acreditar. Mas não quando vejo o primeiro partido da oposição mudar de um líder ausente e deslocado, para um líder sem passado, político de carreira, cujo único trunfo é ser bem-falante. Não acredito quando pessoas inteligentes e de grandes valores se deixam perder em pormenores "menores", quando o que é necessário é uma reforma séria e integral. Não acredito quando temos medidas simples - e sim, são simples! - possíveis e que o governo nem sequer põe na mesa. Mas efectivamente o povo distrai-se com facilidade, e entre futebol, novelas, o Papa, e se metermos um referendozinho polémico ou uma lei que possa dar que falar relativa a valores familiares, mas que no fundo acaba por ser legislado sem respeitar a opinião do povo, então neste caso não posso acreditar que algo vai mudar. É toda uma dispersão da atenção. Há que focalizar, há que fazer o povo acreditar, e focar a atenção no rumo do país, e deixar para trás a imagem de miserabilidade, e de que "estamos aqui à conta de Deus". Se for preciso, tirar o circo, porque o pão, esse, já é pouco, e sem circo podemos talvez acordar.
Estou farto e cansado, mas quero acreditar. Nunca aceitei desgraças, nunca tive medo de trabalhar. Mas não posso aceitar que alguns senhores decidam que eu preciso de um TGV, um aeroporto e uma 3ª travessia sobre o Tejo, quando o que eu preciso é de um serviço de saúde capaz, de um sistema de ensino credível e respeitado, de uma assistência social adequada e bem fiscalizada, de uma função pública proporcionada e adequada, de uma Justiça impoluta, acreditada, funcional, e de serviços de segurança também adequados, com poder efectivo. Se podemos ser melhor que os outros? Penso que sim, mas não vamos inventar a roda. Há modelos correctos e que funcionam noutros países, por que não aprender com eles? Modelos de Saúde, de Educação, de Justiça e Segurança, de Transportes. Neste momento, temos falta de quadros médios qualificados. E temos licenciados a ganhar 600€. Alguns com mestrado, a ganhar mais cento e poucos euros que alguém sem estudos ganha com o ordenado mínimo. Alguém que investiu no seu futuro, e que vê esse investimento pago em pouco mais de 100 euros por mês. Recebi este mail que segue abaixo, cuja veracidade não sei autenticar. Mas não me admira, efectivamente, ser real.
(Início:)
"Salário mensal dos seguintes senhores:
-Mata da Costa: Presidente dos CTT, 200.200 Euros
-Carlos Tavares: CMVM, 245.552 Euros
-Antonio Oliveira Fonseca: Metro do Porto, 96.507 Euros
-Guilhermino Rodrigues: ANA, 133.000 Euros
-Fernanda Meneses: STCP, 58.859 Euros
-José Manuel Rodrigues: Carris 58.865 Euros
-Joaquim Reis: Metro de Lisboa, 66.536 Euros
-Vítor Constâncio: Banco de Portugal, 249.448 Euros (este é que pode pagar mais IRS)
-Luís Pardal: Refer, 66.536 Euros
-Amado da Silva: Anacom, Autoridade Reguladora da Comunicação Social, ex-chefe de gabinete de Sócrates, 224.000 Euros
-Faria de Oliveira: CGD, 371.000 Euros
-Pedro Serra: AdP, 126.686 Euros
-José Plácido Reis: Parpública, 134.197 Euros
-Cardoso dos Reis: CP, 69.110 Euros
-Vítor Santos: ERSE, Entidade Reguladora da Energia, 233.857 Euros
-Fernando Nogueira: ISP, Instituto dos Seguros de Portugal, 247.938 euros (este não é o ex-PSD que se encontra em Angola !! )
-Guilherme Costa: RTP, 250.040 Euros
-Afonso Camões: Lusa, 89.299 Euros
-Fernando Pinto: TAP, 420.000 Euros
-Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euros
E ainda faltam as Estradas de Portugal, EDP, Brisa, Petrogal, todas as outras Observatórios e reguladoras ... Vilanagem É um fartar enfim! E pedem contenção!!
Imaginem o que é pagar um Subsídio de férias ou de Natal a estes senhores:''Tome lá meu caro amigo 350.000 EUR para passar férias ou fazer compras de Natal''.
E pagar-lhes esta reforma ... É no mínimo imoral e no máximo corrupção à sombra da lei ... Até porque estes cargos não são para técnicos, Mas são de nomeação política .. É isto que lhes retira toda e qualquer credibilidade junto do povo e dos quadros técnicos.
TUDO NOSSO DINHEIRO QUE ALIMENTA ESTE BANQUETE, ONDE A CRISE NÃO BATE À PORTA E Onde há aumentos PARA SEMPRE Amigos"
(fim)
Não alterei o conteúdo nem sou responsável por ele, mas é gritante que, havendo salários destes em empresas públicas, se ouçam mensagens de ser preciso unirmo-nos para ultrapassar a crise, custa a todos, etc., etc. Não custa a todos, não senhor. Esta é a minha indignação. A solução não a tenho, mas tenho algumas ideias. Isto não pode continuar, a frase é velha, mas não o é na minha boca, e espero que não seja na boca de muitos portugueses neste momento. Espero que o não seja na sua também.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Os Três Mundos
segunda-feira, 16 de março de 2009
E o que foi não volta a ser

Custa-me. Na semana que passou, umas quantas tragédias familiares. Morreram crianças pequenas, crianças que deveriam estar à guarda dos adultos. E morreram por nossa culpa. Não é culpa dos pais, é nossa.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Rompendo diques
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A Permanência da Morte

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A Enxertia

domingo, 21 de dezembro de 2008
Teatro

quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Ensino: resultado fácil no imediato, hipotecando o futuro

domingo, 12 de outubro de 2008
Retrato de um Português Esperto

Conheço um típico português esperto, do qual vou transcrever algumas situações que presenciei. Ouvi coisas absurdas, que eu não poderia inventar, pois não conseguiria chegar a tanto. Deixo-vos à análise.
Passa um carro do INEM, muito apressado e aflito. Ouço: "Esses gajos também, pensam que a estrada é só deles!". Não comentei.
Conversa-se sobre o estado do ensino no país. Refiro que é complicado ser-se professor, quando os pais dos alunos não os educam. Ouço em resposta: "A responsabilidade é dos professores! Eles é que devem educar as crianças!". Calei-me.
Noutra altura ouço o telemóvel do português esperto, que toca uma vez e desliga-se. Ele liga, conversa algo que não liguei nem ouvi, desliga e ri-se, e diz-me: "O meu miúdo é que é burro! Tem um trabalho de Inglês para fazer, tem o computador à frente, tem internet, e em vez de o sacar da internet, não! Está a fazê-lo pela cabeça dele!". O miúdo tem 11 anos, e pelos vistos não sai esperto como o pai. Parece-me inteligente, talvez.
Chega o pagamento de um cliente, uma entidade ligada à Igreja. Comento "Clientes destes é que convêm! Dinheiro não lhes falta!", e responde-me: "O quê? Coitados, andam sempre a fazer contas à vida!", e eu argumento, apesar começar a ver a futilidade do acto: "Como, se fizeram agora um santuário novo, e nem precisaram mexer no ouro que foi todo para um museu?", e veio a sábia resposta: "oh, oh, você sabe lá! Aquilo foi dinheiro dos peditórios! Há muitos padres que se não for a caridade das pessoas, passam fome!". Aqui desisti, mas para gáudio particular, veio um dos patrões e diz: "É pá! Clientes destes é que interessam!", mas ninguém comentou.
Houve uma altura em que teve um acidente. Conta: "Ia na estrada, nuns terrenos verdinhos, onde estavam umas vacas muito bonitas a pastar, distraí-me a olhar, e quando dei por ela, tinha batido num carro que vinha em sentido contrário! Mas eu nem travei, tão distraído que vinha! Mas batemos no eixo da via, ela também estava fora de mão!" e fez um esboço. Certo. Era uma curva para a esquerda, para ele. Ele distrai-se e vai para o eixo da via. Ela entra na curva e depara-se com um carro no meio da via e um gajo a olhar para as vacas. Estanca o pé no travão, talvez carro sem ABS, derrapa para o eixo da via (lembro que ela curvava para a direita, física básica, derrapando vai para a esquerda). Ora para rematar "Eu não assumi culpa nenhuma! Os seguros que resolvam, a ver se fica a culpa dividida pelos dois!".
Chega um dia o indivíduo supracitado com um braço ligado, e marcas na cara (e no peito e abdómen, como tive mais tarde o desprazer de observar). Por alguma "bruteza" que fui adquirindo no local e também por temer a resposta, não perguntei o que se passou nem por delicadeza, mas a resposta foi-me dada sem pedir. Primeiro a versão "oficial" que disse a outras pessoas com quem falou: "Estava a fazer soda cáustica, para desentupir uns canos, e aquilo fez reacção muito forte e saltou-me para cima!". Achei estranha a quantidade que estaria a fazer só para desentupir uns canos, e fazer tamanha reacção, mas não sou especialista na matéria. Depois veio contar-me (e eu não perguntei...) que afinal "há uma árvore no passeio da rua, e as folhas caiem-me sempre para o jardim, e eu queria deitar a soda cáustica na árvore, para a matar! Mas a soda reagiu e saltou-me para o braço, a cara, a camisola, tudo! A sorte foi ter água mesmo ao pé e lavar logo!". E eu pensei: a natureza encarregou-se desta! Mas ele entretanto acrescenta: "Lavei-me, mudei de roupa e fui botar a soda na mesma! Já estava feita para isso, e pronto!".
E para já me fico com algumas, apenas algumas das histórias que retratam um típico português esperto, que enquanto trabalho, joga Solitário no seu computador.


