domingo, 12 de outubro de 2008

Retrato de um Português Esperto



Conheço um típico português esperto, do qual vou transcrever algumas situações que presenciei. Ouvi coisas absurdas, que eu não poderia inventar, pois não conseguiria chegar a tanto. Deixo-vos à análise.

Passa um carro do INEM, muito apressado e aflito. Ouço: "Esses gajos também, pensam que a estrada é só deles!". Não comentei.

Conversa-se sobre o estado do ensino no país. Refiro que é complicado ser-se professor, quando os pais dos alunos não os educam. Ouço em resposta: "A responsabilidade é dos professores! Eles é que devem educar as crianças!". Calei-me.

Noutra altura ouço o telemóvel do português esperto, que toca uma vez e desliga-se. Ele liga, conversa algo que não liguei nem ouvi, desliga e ri-se, e diz-me: "O meu miúdo é que é burro! Tem um trabalho de Inglês para fazer, tem o computador à frente, tem internet, e em vez de o sacar da internet, não! Está a fazê-lo pela cabeça dele!". O miúdo tem 11 anos, e pelos vistos não sai esperto como o pai. Parece-me inteligente, talvez.

Chega o pagamento de um cliente, uma entidade ligada à Igreja. Comento "Clientes destes é que convêm! Dinheiro não lhes falta!", e responde-me: "O quê? Coitados, andam sempre a fazer contas à vida!", e eu argumento, apesar começar a ver a futilidade do acto: "Como, se fizeram agora um santuário novo, e nem precisaram mexer no ouro que foi todo para um museu?", e veio a sábia resposta: "oh, oh, você sabe lá! Aquilo foi dinheiro dos peditórios! Há muitos padres que se não for a caridade das pessoas, passam fome!". Aqui desisti, mas para gáudio particular, veio um dos patrões e diz: "É pá! Clientes destes é que interessam!", mas ninguém comentou.

Houve uma altura em que teve um acidente. Conta: "Ia na estrada, nuns terrenos verdinhos, onde estavam umas vacas muito bonitas a pastar, distraí-me a olhar, e quando dei por ela, tinha batido num carro que vinha em sentido contrário! Mas eu nem travei, tão distraído que vinha! Mas batemos no eixo da via, ela também estava fora de mão!" e fez um esboço. Certo. Era uma curva para a esquerda, para ele. Ele distrai-se e vai para o eixo da via. Ela entra na curva e depara-se com um carro no meio da via e um gajo a olhar para as vacas. Estanca o pé no travão, talvez carro sem ABS, derrapa para o eixo da via (lembro que ela curvava para a direita, física básica, derrapando vai para a esquerda). Ora para rematar "Eu não assumi culpa nenhuma! Os seguros que resolvam, a ver se fica a culpa dividida pelos dois!".

Chega um dia o indivíduo supracitado com um braço ligado, e marcas na cara (e no peito e abdómen, como tive mais tarde o desprazer de observar). Por alguma "bruteza" que fui adquirindo no local e também por temer a resposta, não perguntei o que se passou nem por delicadeza, mas a resposta foi-me dada sem pedir. Primeiro a versão "oficial" que disse a outras pessoas com quem falou: "Estava a fazer soda cáustica, para desentupir uns canos, e aquilo fez reacção muito forte e saltou-me para cima!". Achei estranha a quantidade que estaria a fazer só para desentupir uns canos, e fazer tamanha reacção, mas não sou especialista na matéria. Depois veio contar-me (e eu não perguntei...) que afinal "há uma árvore no passeio da rua, e as folhas caiem-me sempre para o jardim, e eu queria deitar a soda cáustica na árvore, para a matar! Mas a soda reagiu e saltou-me para o braço, a cara, a camisola, tudo! A sorte foi ter água mesmo ao pé e lavar logo!". E eu pensei: a natureza encarregou-se desta! Mas ele entretanto acrescenta: "Lavei-me, mudei de roupa e fui botar a soda na mesma! Já estava feita para isso, e pronto!".

E para já me fico com algumas, apenas algumas das histórias que retratam um típico português esperto, que enquanto trabalho, joga Solitário no seu computador.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Novos caminhos


(foto: www.ead.pt/blog/)

ouvindo Verdes Anos, de Carlos Paredes

É um mundo difícil, se queremos percebê-lo. E é saindo do trilho habitual que se vê o estranho que tudo é. Saí desse trilho há algum tempo (ou vou saindo) e tento trilhar um percurso novo, próprio, meu. Tento largar vícios sociais, culturais e educacionais, e ao mesmo tempo vejo-me perdido e a tentar recuperar o contacto. De novo, procuro avançar, conheço novas pessoas, novas ideias, novas liberdades, novas alegrias, e de imediato, o humano em mim se desilude na prisão, na pequenez, nos juízos e nas limitações de pessoas, que por conhecimento, abertura, vivência pessoal e até mesmo profissional deveriam ser maiores, mais livres de preconceitos e de vergonhas. É falha minha atentar nisso, e deixar que me incomode, quando lado a lado com elas se encontram pequenas luzes não corrompidas, com um carinho e um passo leve, e ainda assim presentes, atentas, genuínas e fraternas, que voltam a dar esperança na criação de algo mais belo, de algo melhor. Venham os detractores e os gozadores, venham os normais e os certinhos e os fracos e cobardes, venham os dirigentes e os líderes, as autoridades e as milícias! Pois as pessoas que falo perdurarão sempre de uma forma mais bela na memória de quem tocam. 
Partilho com uma pessoa assim, que me dá força ainda que não perceba o que poderá advir das minhas decisões. Tento ser livre, embora seja nessa demanda que tomo consciência maior do quanto limitado sou.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Tradição e Cultura VS ASAE

(foto: marisaono.com)

       Estive num pequeno espaço de turismo rural, apreciando a paz que se vive no interior do nosso país, e observo com agrado e delícia alguns artigos para venda, de fabrico tradicional, se não mesmo caseiro, e comento com a gerente do espaço a originalidade dos produtos, a raridade e bom aspecto, ao que me foi acrescentada a qualidade comprovada por diversos clientes. E depois a Bomba, que só não actua como uma bomba por já ser um "pão-nosso de cada dia": "...é uma senhora velhinha que fazia... deixou de fazer agora porque foi lá a ASAE. Ela até tinha tudo em ordem, mas as especificações obrigavam a obras e ela não podia, nem tinha dinheiro para isso, por isso acabou por deixar a produção...". E é isto, mais uma vez, temos a nossa tão afamada Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (também referida já por muitos como uma nova polícia política), a zelar pelos nossos interesses, e a levar mais uma pessoa a deixar de trabalhar, para viver apenas com a pensão que, a julgar pelas dos ex-políticos, dará para viver à farta! (não possuo dados acerca da anterior função da senhora, mas não creio que tenha sido política). Ora vamos pesar: menos uma pessoa a produzir, menos uma pessoa a descontar, a pagar impostos, a continuar a arte tradicional e os costumes riquíssimos do nosso país, mais uma pessoa a viver da pensão miserável com que este país retribui a vida de trabalho dos seus idosos, mais uma velhota encostada num lar, a olhar os que passam, à espera da morte, porque a ASAE acha que só se pode usar rolhas compradas à empresa certificada X em vez de as fazer ela, dos seus sobreiros, e produzir só numa oficina, e não em casa, ainda que até há pouco estivesse tudo legal, tudo limpo, tudo em ordem. 

       Havia um salão de chá em Aveiro. Era impecável, calmo, com uma diversidade de chás fantástica e de muito bom gosto, e com bolos a acompanhar devidamente, feitos pelos próprios, claro está, que eram possuidores de muita mestria na arte da confecção. Dei noutro dia com a porta fechada, e uma nota aos clientes informando educada e dolorosamente que por impedimentos de prosseguir actividade com a qualidade a que tinham habituado os clientes, optaram por fechar o estabelecimento. Refiro, por informações adquiridas junto dos próprios, que uma das obrigatoriedades impostas era de todos os produtos serem encomendados de fabricantes, uma vez que não tinham instalações próprias de fabrico (os bolos eram feitos em casa...). Presumo então que em vez do bolo delicioso de chocolate que comi da última vez, seria um bolo perfeitamente legal, com químicos suficientes para se conservar uma semana, afinal tudo o que o meu corpo precisa, conservantes!

       Vamos a ver: aparte o debate que se processa neste momento acerca da legalidade da ASAE, e antes que alguém que perde toda a fonte de rendimento e ainda é multado e enlouquecido pelo cúmulo ridículo disto tudo comece aos tiros e nem todo o treinamento que os agentes tiveram nos EUA os safa, aparte tudo isto,o  que nos resta, que opções temos, que pode o governo fazer para limpar esta esterqueira?

       Restituir-nos a capacidade de decisão. Se compras castanhas na beira da estrada, sabes que por vezes têm bicho. Mas já sabes isso à partida, porque provêm de pequenas produções, com poucos recursos, e muitas vezes sem recursos para uso de QUÍMICOS! Se compras queijo ao pastor, sabes q foi feito com as mãos. Mas também sabes que é leite, coalho e sal. Ninguém te engana com E-trezentos-e-picos e ingredientes que legalmente têm que vir referidos, ainda que não saibas o que são, ninguém saiba, nem haja estudos sobre o seu efeito. Vinho. Pisado com pés lavados. Lavados, mas pés de gente que trabalha. E vais buscar uns garrafões ao produtor que era amigo já do teu pai, e é uma pomada boazinha, barata, só de uva. E todos te perguntam onde o vais arranjar, pois é bom. Tudo isto é do nosso direito de escolha. Quem quer, tem em todo o supermercado. Que, espero eu, lutem contra o sistema, que quer cada pêssego embalado individualmente. E cada banana? Emprego: individualizador de bananas precisa-se; dá-se preferência a quem possua experiência com amendoins. E escolher meloas pelo cheiro (tenho nariz para o assunto!) acaba-se, pois cada meloa estará higiénica e hermeticamente embalada. 

       Ou seja: deixem-nos optar! Deixem respirar o país e a tradição! Ponham selos de certificação da ASAE em quem os requerer, e os restantes produtores que fiquem sem selo ou com um de "Produto Tradicional" ou  "Produto Caseiro", que seja! Não deixemos morrer os produtos tradicionais por uns escrúpulos ridículos que insistem em manietar também a nossa cultura! Acabemos com a ASAE como a conhecemos, partamos para uma fiscalização sã, mas humana e real!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A estagnação no erro


(foto: Dailymail.co.uk)


Chega. Que caminho é este que seguimos, que seres humanos nos tornámos, numa época em que supostamente todos deviam ser mais formados, mais educados, mais livres, em que a melhoria das condições sociais deviam permitir uma melhor convivência, e em vez disso sucede o oposto, e a dignidade humana descobre novos fundos.

Uma jovem de 24 anos sai com o namorado de 22, que conheceu pelo teletexto. Era Domingo e iam à piscina. Quatro dias depois o namorado é detido pela polícia e entrega a arma com que tinha baleado e abandonado na beira da estrada a rapariga naquele Domingo.É só um caso. O leitor condescende a jovem, pensa que nada do género aconteceria a uma filha sua, que é esperta, e nunca se encontraria com alguém assim! - (a filha está no quarto, na internet, numa sala de chat com um indivíduo de 49 anos chamado Surferboy) - esquece a vítima e passa à morbidez da mente distorcida do atacante: o que foi que ele fez, como, porquê, onde arranjou a arma, foi paixão, ciúme, loucura, trauma, o que vai ser dele agora, vai preso, é dado como maluquinho, alega insanidade!

Isto é um caso extremo, porém não incomum. E todos nós somos responsáveis. Sei pessoalmente um caso, (um de muitos) uma jovem, bonita, alegre, inteligente, simpática, boa aluna, namora um rapaz bem-parecido, de presença um pouco apagada, algo tímido, bom rapaz. Ela quer prossegir estudos, tirar um curso. Ele não quer que ela vá. Discutem vezes sem conta, e um dia ele ameaça que lhe bate. Arrependido ele, ela assustada, ele "cede" (como se fosse dele a decisão!!!!) e ela vai para a Universidade. Ela sai à noite quando ele está. Quando não está, ela liga a perguntar se pode sair com as amigas, que ele frequentemente proíbe. Novas ameaças. Ela termina o curso e arranja um emprego medíocre, pois quando estagiou e lhe prometeram um futuro na empresa, ele não quis que ela ficasse, seria um posto superior ao dele, melhor remunerado. E casam. E ele chega a casa e senta-se, como fazia o seu pai. E ela trata da casa e da comida e de tudo, mesmo depois de um dia de trabalho duro. Como a mãe. E ele quer sexo hoje. E ela não tem escolha. Nem prazer. Nem carinho. Recusando, é acusada e insultada, e ameaçada e maltratada. E amanhã, quando educar o seu filho e a sua filha, a ele, manda-o sair da frente e ir lá para fora brincar, num dia bom, manda-o arrumar o quarto, a ela, manda-a arrumar o quarto e a casa, e cozinhar e tratar da roupa. Como a sua mãe fez com ela...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O homem sem um braço


Realiza-se a cimeira do G8 no Japão. Tema: a fome. Menu: 25 pratos, caviar, trufas, vinhos franceses. Não convidados que participaram em reuniões anteriores: representantes da Etiópia, Senegal ou Tanzânia.  Custo total da cimeira: 358 milhões de Euros (358.000.000,00€). Custo só do centro de imprensa, construído propositadamente para o evento: 30 milhões de euros.


Conheço um homem sem um braço. Não sei como o perdeu. E no outro dia, uma criança chegou, uma criança que ele não conhecia, e disse "tu não tens um braço!" e ele explicou como o perdera. 


E eu pergunto onde está a nossa inocência de crianças, porque deixamos de questionar o óbvio, porque não nos admiramos com o que não está certo, porque não choramos quando estamos indignados, e não o dizemos em voz alta, e não o apontamos, sim apontamos como uma criança aponta para algo que não compreende, que não percebe porque tem de ser assim, e a seguir vai para casa e planta uma pevide de melancia, e diz à mãe que é para dar às pessoas com fome.


(imagem: autor desconhecido. fonte: Diário de Noticias)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Humanidade Vs PNVD

(imagem e fonte informativa: Wikipédia)

Partij voor Naastenliefde, Vrijheid & Diversiteit

- Partido do Amor ao próximo, Liberdade e Diversidade. É este o novo partido holandês que vem dar a cara a mais um tumor humano. Desta vez, não é um extremismo religioso, nem uma facção guerrilheira pela independência de um pedaço de terra. É um misto de humanidade e desumanidade assombrosa, ambas levadas a um extremo irreal e, espero, inalcançável. Este partido com apenas três membros conhecidos publicamente propõe diversas alterações a leis vigentes e instituir nova legislação, dos quais passo a evidenciar temas como a Sexualidade e os Direitos dos Animais. Certo, a Holanda é tida como um país liberal, mas vamos ver os extremos a que me refiro.

O PNVD procura baixar a idade permitida para o início da vida sexual para os doze anos, e a longo prazo, eliminar por completo, excepto relacionamentos dependentes ou intrafamiliares. E restringir as punições às relações "coercivas" ou "perigosas". A idade para poder participar em pornografia seria também baixada para a idade do início da vida sexual. A prostituição ser legalizada aos 16 anos. A pornografia infantil privada ser legal, e a pornografia não-violenta ser exibida em horário diurno nos canais televisivos. Exigem ainda a separação dos criminosos sexuais, para que estes não sejam alvo de "tortura indirecta".

Quanto aos Direitos dos animais, o PNVD ambiciona estabelecer um tratado universal que garanta os direitos básicos dos animais. Planeia também restringir os testes em animais e proibir completamente o consumo de carne e peixe. Na sua visão, matar animais, independentemente do objectivo a que se destina, é considerado assassínio. Caça e pesca desportivas seriam banidas, e as empresas envolvidas na indústria alimentar de carne e peixe seriam apoiadas pelo estado.

O uso de drogas deveria, segundo o partido, ser completamente descriminalizado e legalizado. Drogas duras, só a partir dos 16, claro! Drogas leves, sexo, direito de voto, jogos a dinheiro e escolha de morada a partir dos 12. O casamento deixa de estar previsto na lei, mas a nudez pública passa a ser permitida em qualquer parte. Ainda, viajar de combóio gratuitamente.

Não consigo deixar de pensar nas "listas" dos alunos no secundário, e dos seus panfletos e propostas para candidatura a associação de estudantes: "propomos: elevadores para os alunos e andaimes para os professores!", enfim, coisas com alguma graça. Mas isto é grave. Numa primeira análise julgo haver uma ideia básica neste partido, e uma tentativa de conseguir poder através de várias ideias paralelas e eleitoralistas.

Dissecando:

- A pedofilia legal e instituída, mascarada de luta pelos direitos das crianças.

adeptos: pedófilos, e um ou outro "liberal" sem filhos ou família.

- Os Direitos dos Animais.

adeptos: Vegetarianos e extremistas utópicos e distraídos.

- Livre uso de drogas.

adeptos: consumidores, liberalistas, anarquistas.

Agora os membros conhecidos do partido, para chegar talvez a uma conclusão definitiva.

- Marthijn Uittenbogaard, ex-tesoureiro da organização a favor do relacionamento sexual adulto-criança Vereniging MARTIJN, e cujos fundadores TODOS foram identificados como pedófilos.

- Van den Berg, condenado em 87 (na altura tinha 43 anos) por molestar um rapaz de 11 anos.

- Norbert De Jonge, expulso do curso de pedagogia devido ao envolvimento no partido, está identificado como pedófilo.

Algum deles está identificado como lutador/protestante dos direitos dos animais? Será sequer algum deles vegetariano? E consumidor de droga? Ou conhecido do público por altruísmo, por feitos ou estudos ou passado político? Um partido que oculta sua sede, uma moradia, para que não sejam alvo de ataques, cujos membros não se revelam…

Qual a finalidade deste partido? Chegámos ao cúmulo em que os políticos, em vez de se aproveitarem do partido e protegerem os interesses próprios através dele, criam um partido em função apenas dos seus interesses mais sórdidos?

Disseram-me, e só agora alcanço verdadeiramente o porquê, que nem tudo diz respeito ao povo, o povo não é digno de votar em tudo. Há coisas que se devem decidir. Elegemos pessoas em quem pensamos poder confiar o nosso futuro. Se são competentes, há decisões internas que devem tomar por nós. Uma delas é perceber as intenções bem claras de um partido e anulá-lo. O Homem é superior à Lei e aos Regulamentos e Constituições. Nós não nos regemos por Leis somente. Em primeiro lugar regemo-nos por nós.

E pensamos por nós. Haja humanidade!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Homem-em-série

imagem:"Identity" de Maroe Susti

"Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio;

cada ser humano é uma parte do continente,

uma parte de um todo"

John Donne


O ser humano surpreende-me. Uma e outra vez. A Sociedade condiciona-nos continuamente, adquirimos ou alteramos comportamentos, pela necessidade de integração, pela "normalidade", para sermos humanos de série funcionando em cadeia, e não protótipos funcionais, autónomos e únicos. Ainda assim o espírito rebelde e persistente que nos habita grita para sermos únicos. E é uma parte de mim que acorda quando encontro alguém que chega, depois de uma ausência de alguns meses, e pergunta directo, interessado genuinamente, e te questiona assuntos pessoais teus, sem tabus, na frente dos outros, ligando um pequeno grupo na amizade e na intimidade sanguínea, nivelando-nos à carne  e à pureza de sentimento na preocupação verdadeira por quem te é querido e pelo seu bem-estar como parte importante no bem-estar geral. 

Se esta preocupação e esta frontalidade fossem comuns, talvez novos horizontes se abrissem à humanidade.